É, pois, com agrado que o Ministério da Educação, por intermédio da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC), regista a disponibilidade assumida por parte dos editores e livreiros para prescindirem da adopção de novos manuais para as disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa no 8º ano e de Tecnologias de Informação e Comunicação no 10º ano, ao mesmo tempo que se disponibilizam para prosseguir o diálogo com vista à produção dos diplomas normativos que se encontram em fase de elaboração, nomeadamente sobre critérios de avaliação, de certificação e de produção a incluir nos normativos de regulamentação da Lei nº 47/2006. (Ofício circular nº 2/ DSEE/2007)
As mudanças na vida das sociedades e do homem são feitas, sempre, com sacrifícios de todos ou quase… E dizemos quase, porque há sempre quem mude qualquer coisa para que, pelo menos para eles, fique tudo na mesma. A educação e a instrução pública, sobretudo através dos recursos humanos e materiais, movimentam milhões de euros… muitos deles, receitas exorbitantes da actividade livreira, sendo disso claro exemplo os negócios de compra e venda de editoras de manuais escolares a que assistimos ultimamente.
O poder do sector é tal, que a certificação de manuais escolares é uma história interminável e a proliferação de projectos mais ou menos semelhantes dentro da mesma editora e para o mesmo ano de escolaridade demonstram quão apetecível é este nicho de mercado…
Ora, porque não fui a tempo de propor – quiçá! – a não adopção de um manual, apercebi-me, ao tomar conhecimento de que ia leccionar o 7º ano de escolaridade, que a TLEBS está – viva - no manual adoptado pela minha escola! E, seguramente, em todos os manuais do 7º ano, em todas as escolas do país. O inaudito do facto é que a TLEBS está suspensa no ensino básico, por determinação da Portaria nº 476/2007, assim como a adopção de novos manuais para Língua Portuguesa no ensino básico até 2010; a mesma Portaria anuncia novos programas para o ano lectivo de 2010/2011 e, então, em catadupa, vai ser uma negociata de manuais... Porém, a situação é incrivelmente clara: de um lado, manuais com a TLEBS, do outro, determinações que a suspendem, corroboradas por outras que realçam que nos exames nacionais não será exigida.
As Associações de Pais têm conhecimento da situação; supostamente a APP também tem conhecimento; as editoras não, ou ignoram, o que é mais rentável. Porque, o exemplar que recebi – os meus agradecimentos à editora que mo ofereceu – é um de uma 3ª reimpressão de 8500 exemplares, todos ilegais! O Governo também desconhece a situação!
Quando, já no decurso do ano lectivo de 2006/2007, fomos confrontados com a suspensão da TLEBS no ensino básico, mas não no ensino secundário, calou-se a polémica despoletada, tardiamente, pelos meios de comunicação social, apontaram-se medidas passíveis de gerar consensos mais restritos em matérias que opõem frontalmente diferentes escolas linguísticas, mas não se pensou nos alunos que desde 2007 até 2010 hão-de andar, no 7º ano, a riscar a TLEBS no seu manual de Língua Portuguesa. Supostamente, será uma forma de aprender geometria…
Resta-nos, a alunos e professores de Língua Portuguesa do 7º ano, passar parte do tempo – que deveria ser para ensinar e aprender – a riscar o que é TLEBS e a fazer fotocópias de manuais anteriores. Seguramente, espero, que alguns destes manuais já tenham sido utilizados: poupar-me-iam o tempo de mandar riscar! Esses sim, seriam manuais reutilizáveis…
Para não falar das prolíferas publicações gramaticais - todas de acordo com a TLEBS - que germinaram que nem cogumelos e nos deixam com a impossível tarefa de indicar uma gramática decente a alunos do ensino básico… porque todas estão, pretensamente, de acordo a TLEBS!
Fazer uma gramática que não esteja de acordo com a TLEBS, mas que retome as ideias linguísticas dos principais gramáticos portugueses, esses que fizeram Eças e Camilos, Torgas e Saramagos, evidentemente, não é negócio de milhões de euros… mas era este, sei-o de fonte segura, o caminho inicialmente almejado.
O poder do sector é tal, que a certificação de manuais escolares é uma história interminável e a proliferação de projectos mais ou menos semelhantes dentro da mesma editora e para o mesmo ano de escolaridade demonstram quão apetecível é este nicho de mercado…
Ora, porque não fui a tempo de propor – quiçá! – a não adopção de um manual, apercebi-me, ao tomar conhecimento de que ia leccionar o 7º ano de escolaridade, que a TLEBS está – viva - no manual adoptado pela minha escola! E, seguramente, em todos os manuais do 7º ano, em todas as escolas do país. O inaudito do facto é que a TLEBS está suspensa no ensino básico, por determinação da Portaria nº 476/2007, assim como a adopção de novos manuais para Língua Portuguesa no ensino básico até 2010; a mesma Portaria anuncia novos programas para o ano lectivo de 2010/2011 e, então, em catadupa, vai ser uma negociata de manuais... Porém, a situação é incrivelmente clara: de um lado, manuais com a TLEBS, do outro, determinações que a suspendem, corroboradas por outras que realçam que nos exames nacionais não será exigida.
As Associações de Pais têm conhecimento da situação; supostamente a APP também tem conhecimento; as editoras não, ou ignoram, o que é mais rentável. Porque, o exemplar que recebi – os meus agradecimentos à editora que mo ofereceu – é um de uma 3ª reimpressão de 8500 exemplares, todos ilegais! O Governo também desconhece a situação!
Quando, já no decurso do ano lectivo de 2006/2007, fomos confrontados com a suspensão da TLEBS no ensino básico, mas não no ensino secundário, calou-se a polémica despoletada, tardiamente, pelos meios de comunicação social, apontaram-se medidas passíveis de gerar consensos mais restritos em matérias que opõem frontalmente diferentes escolas linguísticas, mas não se pensou nos alunos que desde 2007 até 2010 hão-de andar, no 7º ano, a riscar a TLEBS no seu manual de Língua Portuguesa. Supostamente, será uma forma de aprender geometria…
Resta-nos, a alunos e professores de Língua Portuguesa do 7º ano, passar parte do tempo – que deveria ser para ensinar e aprender – a riscar o que é TLEBS e a fazer fotocópias de manuais anteriores. Seguramente, espero, que alguns destes manuais já tenham sido utilizados: poupar-me-iam o tempo de mandar riscar! Esses sim, seriam manuais reutilizáveis…
Para não falar das prolíferas publicações gramaticais - todas de acordo com a TLEBS - que germinaram que nem cogumelos e nos deixam com a impossível tarefa de indicar uma gramática decente a alunos do ensino básico… porque todas estão, pretensamente, de acordo a TLEBS!
Fazer uma gramática que não esteja de acordo com a TLEBS, mas que retome as ideias linguísticas dos principais gramáticos portugueses, esses que fizeram Eças e Camilos, Torgas e Saramagos, evidentemente, não é negócio de milhões de euros… mas era este, sei-o de fonte segura, o caminho inicialmente almejado.
Nota: Artigo publicado no nº 332 do Correio da Educação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário