Todo o mundo objectivo é e permanece representação, e, por esta razão, é absoluta e eternamente condicionado pelo sujeito; por outras palavras, o universo tem uma idealidade transcendental. (Schopenhauer)[1]
[1] Schopenhauer (2008): O Mundo com Vontade e Representação: Madrid, Rés-Editora.p. 28
[1] Schopenhauer (2008): O Mundo com Vontade e Representação: Madrid, Rés-Editora.p. 28
A convicção da existência de um mundo real, ao qual pertencemos e no qual interagimos é sobressaltada de vez em quando por fenómenos como as fantásticas cerimónias de abertura dos recentes Jogos Olímpicos. Afinal, tudo não passou de uma encenação, de uma realidade virtual, de uma representação que, questionável ou não, teve a eficácia que a actualidade e a imagem exigem. Afinal o virtual é mesmo real!
Elucidativo e paradigmático pela amplitude mediática universal que teve, esta cerimónia fabulosa decorre de um modelo socio-político que se entroniza e se legitima através da imagem e da representação que dele emerge. Nesta mesma perspectiva se enquadrarão as mais recentes medidas de política educativa provenientes de Sócrates, entre outras, os inconsequentes planos tecnológicos e os consequentes regimes de avaliação dos professores.
O início de mais este ano lectivo é marcado indelevelmente pela avaliação docente sem que se garanta que ela venha a ser decente. Não por questões de decoro ou falta dele, antes por questões bem mais sérias e profundas que radicam no conhecimento que podemos ter, ou não, que podemos validar, ou não, do ser humano e em particular do professor e das suas práticas.
Requeremos como pacíficas as exigências de uma avaliação transparente, rigorosa e equitativa, sem com isto procurarmos subterfúgios ou esquivas à necessidade da avaliação. Esta, não o ignoremos, é ditada por um mercado hoje saturado de uma mão-de-obra excessiva, e incapaz de a absorver, por um lado, e, por outro, por ditames estatísticos que pretensamente nos hão-de orgulhar perante os nossos parceiros europeus. Eis pois, que a avaliação docente não surge, por si, e em si mesma, como um processo intrínseco e decorrente da própria actividade: a história da docência demonstra-o cabalmente! A avaliação docente era feita pela sociedade que lhe reconhecia ou não o mérito e a autoridade, a posição e o estatuto social, a primazia e a deferência com que era tratado. Ou não. Ponto final.
Impõe-se pois, já que a avaliação surge por factores estranhos à actividade docente, que esta se desenrole com transparência, quer da parte de avaliadores, quer dos avaliados… e se a transparência nos permite ver por dentro, então que entre avaliador e avaliado, muito além de uma hierarquia – administrativa e não académica – possam existir confiança e respeito mútuos.
Requere-se ainda rigor. Rigor nos procedimentos, nas observações, no registo fiel do observado nos instrumentos de avaliação, no tratamento dos dados recolhidos e nos resultados obtidos.
Exige-se equidade: igual distância perante os diferentes avaliados; igual distância nos juízos decorrentes das práticas observadas; igual distância perante professores mais novos ou mais velhos; igual distância perante professores - amigos, ou simplesmente profissionais do mesmo ofício.
Ora, como a transparência, o rigor e a equidade mais não serão do que uma mera representação, pelo menos para alguns – nem todos caberão nas quotas! - que não corresponderá ao mundo objectivo das suas aulas, dos seus alunos e das suas aprendizagens, então, - e embora, isso não signifique a chegada da carta violeta da morte de Saramago - , das duas, três: dediquemo-nos ao sexo – os casais dediquem-se ao amor! - naqueles que serão os últimos dias antes da avaliação; ou, segunda, e mais devota, sejamos mais crentes que Tomé e não precisemos de duvidar, sigamos em frente, está tudo tão lindo, padre-nosso, avé-maria...
Eu, por mim, continuo à espera que o ser humano me surpreenda, mas não com uma representação. Para que acredite. Três!
Vale ou Valium!
Elucidativo e paradigmático pela amplitude mediática universal que teve, esta cerimónia fabulosa decorre de um modelo socio-político que se entroniza e se legitima através da imagem e da representação que dele emerge. Nesta mesma perspectiva se enquadrarão as mais recentes medidas de política educativa provenientes de Sócrates, entre outras, os inconsequentes planos tecnológicos e os consequentes regimes de avaliação dos professores.
O início de mais este ano lectivo é marcado indelevelmente pela avaliação docente sem que se garanta que ela venha a ser decente. Não por questões de decoro ou falta dele, antes por questões bem mais sérias e profundas que radicam no conhecimento que podemos ter, ou não, que podemos validar, ou não, do ser humano e em particular do professor e das suas práticas.
Requeremos como pacíficas as exigências de uma avaliação transparente, rigorosa e equitativa, sem com isto procurarmos subterfúgios ou esquivas à necessidade da avaliação. Esta, não o ignoremos, é ditada por um mercado hoje saturado de uma mão-de-obra excessiva, e incapaz de a absorver, por um lado, e, por outro, por ditames estatísticos que pretensamente nos hão-de orgulhar perante os nossos parceiros europeus. Eis pois, que a avaliação docente não surge, por si, e em si mesma, como um processo intrínseco e decorrente da própria actividade: a história da docência demonstra-o cabalmente! A avaliação docente era feita pela sociedade que lhe reconhecia ou não o mérito e a autoridade, a posição e o estatuto social, a primazia e a deferência com que era tratado. Ou não. Ponto final.
Impõe-se pois, já que a avaliação surge por factores estranhos à actividade docente, que esta se desenrole com transparência, quer da parte de avaliadores, quer dos avaliados… e se a transparência nos permite ver por dentro, então que entre avaliador e avaliado, muito além de uma hierarquia – administrativa e não académica – possam existir confiança e respeito mútuos.
Requere-se ainda rigor. Rigor nos procedimentos, nas observações, no registo fiel do observado nos instrumentos de avaliação, no tratamento dos dados recolhidos e nos resultados obtidos.
Exige-se equidade: igual distância perante os diferentes avaliados; igual distância nos juízos decorrentes das práticas observadas; igual distância perante professores mais novos ou mais velhos; igual distância perante professores - amigos, ou simplesmente profissionais do mesmo ofício.
Ora, como a transparência, o rigor e a equidade mais não serão do que uma mera representação, pelo menos para alguns – nem todos caberão nas quotas! - que não corresponderá ao mundo objectivo das suas aulas, dos seus alunos e das suas aprendizagens, então, - e embora, isso não signifique a chegada da carta violeta da morte de Saramago - , das duas, três: dediquemo-nos ao sexo – os casais dediquem-se ao amor! - naqueles que serão os últimos dias antes da avaliação; ou, segunda, e mais devota, sejamos mais crentes que Tomé e não precisemos de duvidar, sigamos em frente, está tudo tão lindo, padre-nosso, avé-maria...
Eu, por mim, continuo à espera que o ser humano me surpreenda, mas não com uma representação. Para que acredite. Três!
Vale ou Valium!
(Nota: esta crónica foi publicada no nº 331 do Correio da Educação)
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