A presunção de que a opinião das maiorias é a melhor e a mais correcta é tão verdade quanto a mentira que hoje, na Assembleia da República, vai vencer, quando for realizada a votação de uma proposta do CDS de suspensão da avaliação docente. Porque muitos deputados/professores não pensam pela sua cabeça…
A tomada de posição de não entrega dos objectivos individuais, como forma de suspender o processo de avaliação merece todo o meu respeito, apesar de não estar de acordo com ela. Parece-me que, para alguns, não estar de acordo com esta posição é estar de acordo com a ADD imposta pelo Ministério. Não é. Porém, para alguns esquecidos, convém recordar alguns factos e tomadas de posição, quer individuais, quer sindicais que, no passado, não levantaram uma consequente e coerente indignação.
Falo, obviamente, de interesses particulares, nomeadamente os seguintes: quando se dividiu a carreira em professores e professores titulares, quais destes se organizaram e recusaram concorrer? Que movimentos de opinião surgiram pelas escolas e nos sindicatos de forma a recusar concorrer a tal concurso que efectivou a divisão administrativa da carreira? Que eu saiba, poucos foram os que não concorreram. E não o fizeram porquê? Para salvaguardar os seus vencimentos e não correrem o risco de eventuais prejuízos na sua carreira. Também a plataforma sindical, quando assinou o famigerado memorando de entendimento com o Ministério da Educação, fê-lo em troca da possibilidade de os professores sindicalizados poderem concorrem num concurso extraordinário a professores titulares, ou seja, salvaguardando os seus vencimentos e eventuais prejuízos na carreira.
O que se passa, agora, com este movimento de não entrega dos objectivos individuais, gerado e conduzido, na maior parte das escolas, por professores titulares, pode acarretar, pelo menos para alguns, nomeadamente os não titulares, prejuízos nos seus vencimentos e nas suas carreiras. Será justo e legítimo pedir a quem muda de escalão, no decurso deste ano lectivo, que não entregue os objectivos individuais e depois, seja penalizado, financeiramente, por isso? É legítimo que quem defendeu os seus interesses, concorrendo a professor titular – e esta questão é também para a Plataforma Sindical – venha agora pedir aos mais novos que abdiquem de uma eventual progressão na carreira? Justamente aqueles cujos vencimentos são mais baixos?
Não! Não é!
Se olharmos para o ECD actual e anterior, verificamos que há toda uma geração de professores que hoje se está a reformar e que fez uma carreira digna, mas com muitas mais benesses que aquelas que o actual ECD consagra e que os mais novos não vão usufruir. Falo, por exemplo, das horas de redução da componente lectiva, de que eu não beneficio, e outros beneficiaram até ao final, ou quase, da sua carreira. É justo que esses, ou alguns desses, venham agora manifestar-se indignados por eu não concordar com a não entrega dos objectivos individuais, quando posso mudar de escalão, supostamente, dentro de poucos dias?!
Não! Não é!
Por outro lado, estou convicto que a entrega, por parte de todos os professores, dos seus objectivos, exigindo avaliadores da sua área específica, faria ruir, como castelos na areia, o dito simplex da avaliação. Mesmo com a delegação de competências, que não me repugna, - pois o que diferencia os professores titulares avaliadores dos professores com competências delegadas de avaliação? Nada! – o processo sofreria um atraso significativo devido à burocracia inerente que impediria a observação de (três) aulas, em tempo útil, ou seja, dentro do calendário previsto.
A mestria da equipa ministerial revelou-se, justamente, na possibilidade de os professores poderem recusar a avaliação, quando se sabe que muitos defendem este modelo, mesmo sem simplex, o que a vai levar à conclusão de que, afinal, o modelo é exequível, desde os que os professores não compliquem. E os professores não complicam a vida ao Ministério se abdicarem de ser avaliados!...
Por tudo isto, na minha opinião, que vale o que vale, mas de que não abdico, pois sempre tomei as minhas decisões, independentemente de tudo e de todos, a vitória dos professores passaria por, todos, entregarem os seus objectivos, todos pedirem avaliadores da sua área específica, todos pedirem três aulas observadas, todos pedirem a entrevista com o avaliador… e o simplex ruiria com um castelo de areia…
A tomada de posição de não entrega dos objectivos individuais, como forma de suspender o processo de avaliação merece todo o meu respeito, apesar de não estar de acordo com ela. Parece-me que, para alguns, não estar de acordo com esta posição é estar de acordo com a ADD imposta pelo Ministério. Não é. Porém, para alguns esquecidos, convém recordar alguns factos e tomadas de posição, quer individuais, quer sindicais que, no passado, não levantaram uma consequente e coerente indignação.
Falo, obviamente, de interesses particulares, nomeadamente os seguintes: quando se dividiu a carreira em professores e professores titulares, quais destes se organizaram e recusaram concorrer? Que movimentos de opinião surgiram pelas escolas e nos sindicatos de forma a recusar concorrer a tal concurso que efectivou a divisão administrativa da carreira? Que eu saiba, poucos foram os que não concorreram. E não o fizeram porquê? Para salvaguardar os seus vencimentos e não correrem o risco de eventuais prejuízos na sua carreira. Também a plataforma sindical, quando assinou o famigerado memorando de entendimento com o Ministério da Educação, fê-lo em troca da possibilidade de os professores sindicalizados poderem concorrem num concurso extraordinário a professores titulares, ou seja, salvaguardando os seus vencimentos e eventuais prejuízos na carreira.
O que se passa, agora, com este movimento de não entrega dos objectivos individuais, gerado e conduzido, na maior parte das escolas, por professores titulares, pode acarretar, pelo menos para alguns, nomeadamente os não titulares, prejuízos nos seus vencimentos e nas suas carreiras. Será justo e legítimo pedir a quem muda de escalão, no decurso deste ano lectivo, que não entregue os objectivos individuais e depois, seja penalizado, financeiramente, por isso? É legítimo que quem defendeu os seus interesses, concorrendo a professor titular – e esta questão é também para a Plataforma Sindical – venha agora pedir aos mais novos que abdiquem de uma eventual progressão na carreira? Justamente aqueles cujos vencimentos são mais baixos?
Não! Não é!
Se olharmos para o ECD actual e anterior, verificamos que há toda uma geração de professores que hoje se está a reformar e que fez uma carreira digna, mas com muitas mais benesses que aquelas que o actual ECD consagra e que os mais novos não vão usufruir. Falo, por exemplo, das horas de redução da componente lectiva, de que eu não beneficio, e outros beneficiaram até ao final, ou quase, da sua carreira. É justo que esses, ou alguns desses, venham agora manifestar-se indignados por eu não concordar com a não entrega dos objectivos individuais, quando posso mudar de escalão, supostamente, dentro de poucos dias?!
Não! Não é!
Por outro lado, estou convicto que a entrega, por parte de todos os professores, dos seus objectivos, exigindo avaliadores da sua área específica, faria ruir, como castelos na areia, o dito simplex da avaliação. Mesmo com a delegação de competências, que não me repugna, - pois o que diferencia os professores titulares avaliadores dos professores com competências delegadas de avaliação? Nada! – o processo sofreria um atraso significativo devido à burocracia inerente que impediria a observação de (três) aulas, em tempo útil, ou seja, dentro do calendário previsto.
A mestria da equipa ministerial revelou-se, justamente, na possibilidade de os professores poderem recusar a avaliação, quando se sabe que muitos defendem este modelo, mesmo sem simplex, o que a vai levar à conclusão de que, afinal, o modelo é exequível, desde os que os professores não compliquem. E os professores não complicam a vida ao Ministério se abdicarem de ser avaliados!...
Por tudo isto, na minha opinião, que vale o que vale, mas de que não abdico, pois sempre tomei as minhas decisões, independentemente de tudo e de todos, a vitória dos professores passaria por, todos, entregarem os seus objectivos, todos pedirem avaliadores da sua área específica, todos pedirem três aulas observadas, todos pedirem a entrevista com o avaliador… e o simplex ruiria com um castelo de areia…
João Paulo Fonseca
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