“Um nada é quanto basta para desfazer reputações, um quase nada as faz e refaz, a questão é encontrar o caminho certo para a credulidade ou para o interesse dos que vão ser eco inocente ou cúmplice.” Memorial do Convento, José Saramago
As imagens que o acidental operador de câmara colheu e nos mostram o ocorrido numa aula do 9º ano de escolaridade, numa escola do Porto, não são nem inéditas, nem frequentes. Acontecem. Como a febre é um sintoma, assim estas imagens. Falar de sintomas, só se for para tratar a doença.
O mais grave e o mais certo é quem de direito ignore os sintomas e quem está doente continue a não os sentir. Daí que, vamos vivendo no melhor dos mundos, no melhor dos sistemas educativos (no que à disciplina diz respeito…) até que um aluno brincalhão e uma aluna mal-educada resolvem ser notícia. E as virgens sentem-se ofendidas, pois claro!
Recordo-me de um episódio que vivi, enquanto aluno: com um pequeno transístor e com um auscultador disfarçado na manga, a mão encostada ao ouvido, passei parte de uma aula a ouvir música; a minha postura compenetrada e estática denunciou-me e o professor descobriu a marosca. Nunca mais voltei a repetir a gracinha! O professor não me castigou, não gritou; o meu orgulho é que ficou ferido e foi suficiente para aprender o que já sabia, que estávamos numa aula e, portanto…
Não espero que o Governo venha legislar sobre quando, onde e em que circunstâncias o telemóvel pode ser utilizado, apesar de, muito provavelmente, não lhe faltar vontade, (parece que o novo estatuto do aluno remete para o regulamentos interno da escola a questão...) como já o demonstrou com o tabaco e como se irá ver, com os piercings. Qualquer dia legislará sobre as percentagens máximas de gordura nos salpicões, sobre a hora de entrada dos adolescentes em casa, sobre o número máximo de pessoas que se podem concentrar numa praça, etc… imaginação não lhes falta.
Que este episódio não sirva para atirar poeira para os olhos das pessoas; que vejam para além dos sintomas; e que se exija aos pais, enquanto primeiros educadores, o quanto se exige aos professores.
As imagens que o acidental operador de câmara colheu e nos mostram o ocorrido numa aula do 9º ano de escolaridade, numa escola do Porto, não são nem inéditas, nem frequentes. Acontecem. Como a febre é um sintoma, assim estas imagens. Falar de sintomas, só se for para tratar a doença.
O mais grave e o mais certo é quem de direito ignore os sintomas e quem está doente continue a não os sentir. Daí que, vamos vivendo no melhor dos mundos, no melhor dos sistemas educativos (no que à disciplina diz respeito…) até que um aluno brincalhão e uma aluna mal-educada resolvem ser notícia. E as virgens sentem-se ofendidas, pois claro!
Recordo-me de um episódio que vivi, enquanto aluno: com um pequeno transístor e com um auscultador disfarçado na manga, a mão encostada ao ouvido, passei parte de uma aula a ouvir música; a minha postura compenetrada e estática denunciou-me e o professor descobriu a marosca. Nunca mais voltei a repetir a gracinha! O professor não me castigou, não gritou; o meu orgulho é que ficou ferido e foi suficiente para aprender o que já sabia, que estávamos numa aula e, portanto…
Não espero que o Governo venha legislar sobre quando, onde e em que circunstâncias o telemóvel pode ser utilizado, apesar de, muito provavelmente, não lhe faltar vontade, (parece que o novo estatuto do aluno remete para o regulamentos interno da escola a questão...) como já o demonstrou com o tabaco e como se irá ver, com os piercings. Qualquer dia legislará sobre as percentagens máximas de gordura nos salpicões, sobre a hora de entrada dos adolescentes em casa, sobre o número máximo de pessoas que se podem concentrar numa praça, etc… imaginação não lhes falta.
Que este episódio não sirva para atirar poeira para os olhos das pessoas; que vejam para além dos sintomas; e que se exija aos pais, enquanto primeiros educadores, o quanto se exige aos professores.
4 comentários:
O que me surpreeende neste caso é o facto de apenas com a divulgação do vídeo no Youtube ao Conselho Executivo da escola ter tido conhecimento da situação.
E se o aluno não tivesse filmado?
E se o vídeo não tivesse sido divulgado?
Quantos casos serão abafados entre as quatro paredes de uma sala de aula?
Quantos professores e alunos se calarão face à violência verbal e física de que são alvo?
Enfim, urge dar resposta a estas questões. Não abrir precedentes será uma solução. Perante as primeiras situações, a resposta a dar pelas autoridades escolares terão de ser rápidas, eficazes e exemplares. Só assim, estas situações poderão ser evitadas.
Abraço
Tens toda a razão.
É importante, em priemeiro lugar, que os professores tenham coragem de denunciar estas situações... pois podem acontecer a qualquer um, sem por isso se sentir diminuído; por outro lado, era importante haver uma retaguarda forte que fosse profiláctica relativamente a estes casos.
Mas somos um país de brandos costumes!
Boa Páscoa, Peixoto.
Os temas que tratas são muito pertinentes. Dou-te os parabéns pelo trabalho realizado. É incrível como podem acontecer situações destas! É necessário resolver o “problema dos telemóveis na sala de aula”. Ao ler as várias notícias/comentários nos jornais, fiquei preocupado porque ainda há certos “iluminados” que, apesar de criticarem a aluna, ainda criticam a professora!
Podes contar com a minha leitura atenta dos teus belos artigos.
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